domingo, 1 de julho de 2007

MALVADOS


Hoje só passando para deixar uma sugestão para quem tem senso de humor (negro).
É o blog www.malvados.com.br, do excelente André Dahmer.

(e se alguém estiver on-line agora - domingo 11h - outra recomendação: rádio Cultura FM 103,3 - está começando o Super Tônica)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Abominável Mundo Rosa


A cidade de Riccione (Itália) abriu uma praia totalmente dedicada ao sexo feminino. Conhecida como a praia "cor-de-rosa", o local proíbe a presença masculina e teve a infra-estrutura elaborada para promover o bem-estar e o conforto das mulheres.
(...) guarda-sóis e bóias salva-vidas são em tons de rosa.
(...) No bar e no restaurante (...) nutricionistas elaboraram cardápios e coquetéis para as mulheres que não querem abandonar a dieta.
(...) Diversas formas de entretenimento (?!?!), como cursos de cozinha e aulas de ginástica fazem parte da programação e, nas tardes de domingo, cabeleireiros, esteticistas, manicures e maquiadores estão à disposição das freqüentadoras.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2007/06/25/ult5022u84.jhtm

Depois de anos de luta do movimento “feminista” por igualdade de direitos, algumas mulheres italianas parecem ter optado pelo "admirável" mundo cor-de-rosa, cheio de luxo e conforto. Espontânea e docilmente se colocam em uma “casta” – criada por um homem – e deixam-se seduzir por prazeres de um mundinho à parte, onde homem – surpresa – não entra!
O que chama a atenção, ao menos para mim, é a imagem criada em torno da figura feminina: MULHER TEM QUE GOSTAR DE ROSA!
Céus! Apelo a um amigo (muito macho por sinal), que, adoravelmente, é capaz de questionar a alegada beleza do ator Orlando Bloom (diz ele que “é o seu lado gay que consegue enxergar que o cara é tão charmoso quanto um pedaço de tábua”). Exemplificada a "sabedoria" desse amigo, fica aqui o comentário pertinente: “Mulher que usa cor-de-rosa não tem personalidade”.
Cada um com sua opinião, certo? Ótimo. Passarei longe de Riccioni, Itália.


Comentário de uma veranista:

“Não precisamos pensar se os homens estão prestando atenção se temos celulite ou não"

(Céus, que pensamento estúpido).

Comentários de Francesco Di Biase, organizador de eventos e idealizador da praia cor-de-rosa:


"Aqui, as mulheres terão tranqüilidade e reserva. Nenhum 'latin lover' estará importunando ninguém e elas poderão tomar banho de sol sem os incômodos olhares dos homens"

quarta-feira, 20 de junho de 2007

CARPE DIEM X MEMENTO MORI

Uma noite, muitas imagens, algumas visões....memento mori

Aproveite o dia, mas saiba que irá morrer


“É no lento que a vida acontece. O melhor da existência se dá em câmera lenta, apreciando, sentindo, desfrutando, percebendo cada parte, cada trecho, cada elemento, cada detalhe. A verdadeira vivência desdobra-se na lentidão, nas coisas feitas com cuidado, esmero, atenção, sensibilidade, acuidade, delicadeza, paciência, tranqüilidade. Tudo o que vale a pena ser vivido só se passa no lento, o resto é corrida sem sentido, o resto é morte”
(MARCONDES FILHO, Ciro -
Perca tempo: é no lento que a vida acontece).

Ao querido professor Dimas peço desculpas pelo texto de hoje. Totalmente pessoal. Influenciado pelas circunstâncias. Nada a ver com COMUNICAÇÃO. Ou talvez... Hoje, depois de mais de 15 dias fazendo exatamente isso, sai do trabalho disposta a não continuar trabalhando em casa. E perguntei a mim mesma (ainda que em voz alta) : mas fazer o quê, então? "Algo divertido", ouço a resposta da estagiária, aluna da ECA. Perdi o parâmetro. Não sei o que fazer de "divertido". Não há mais nada além de trabalho. Vítima (de mim mesma) de uma ânsia de viver na corrida (ainda que para mim tivesse sentido). O "lento" não me era permitido. O tempo esgotava-se (tempus fugit). Optei pelo "carpe diem"....e ERREI. Feiamente.
Não perdi o tempo. Nunca. Perdi apenas (memento mori). Da apreciação, feita com a proclamada "delicadeza" (minha), atenção (minha) e acuidade (minha), nada restou. Ou talvez algo que só se possa enxergar (quando possível), ao olhar novamente para trás (com tranqüilidade), e selecionar entre tantas visões, imagens, olhares, pensamentos, aqueles que me fizeram APROVEITAR O DIA (carpe diem).

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Em entrevista publicada na Folha de S. Paulo (6 de novembro de 1994), o fotógrafo Oliviero Toscani revelou alguns dos aspectos mais relevantes sobre seu trabalho na publicidade. Considerado “polêmico”, Toscani mostrou que é possível fugir de um “padrão” – criado sabe-se lá por quem – de propaganda. Alguns trechos dessa entrevista demonstram claramente seus pontos de vista:

“A publicidade geralmente nos diz como devemos consumir a vida (...). Não está escrito em lugar nenhum que a publicidade tenha que ser a merda que é. É só um lugar-comum, um caminho fácil para gastar o dinheiro dos clientes. (...). Como é que eles conseguem se fazer chamar diretores criativos quando sua criatividade é menos que zero? Não sei”.

“É uma mentalidade paternalista: ‘isso é o que querem e isso eu lhes dou’. As mensagens habituais da publicidade são dignas de um novo processo de Nuremberg. Continuam nos dizendo que todas as mães são loiras, que todas as famílias são felizes, que nosso carro representa nosso poder e nossa potência até física e sexual, que você é o que você consome, e será respeitado pelo que você consome, que o creme de merda que você coloca na cara espalha perfeitamente a beleza que você poderia vir a ser se copiasse Isabella Rossellini. Me pergunto quando vamos acordar. Eu estou escandalizado.”

“Olho para televisão e vejo as propagandas (...) tudo é limpo, ordenado, e digo 'caralho, mas eu sou mesmo um fodido'. (...) estes produtores de publicidade são assassinos sociais (...)”

Deixo para o final a frase que, para mim, sintetiza o trabalho de Toscani.

“Desde sempre, eu procuro as diferenças, a aceitação do diverso.”

A frase recai sobre o que temos visto em aula, sob diferentes autores e pontos de vista. Infelizmente para nós, o trabalho de Toscani não teve o poder de criar novos conceitos na publicidade. Continuamos a ver nas telas de tv e impressos nas revistas, um mundo perfeito, no qual não há espaço para quem diverge, discute, contrasta.

Preto ou branco? Peças de xadrez no tabuleiro da publicidade?

Octavo Dia (Shakira)

Mientras tanto este mundo gira y gira sin poderlo detener. Y aquí abajo unos cuantos nos manejan como fichas de ajedrez. No soy la clase de idiota que se deja convencer, pero digo la verdad. Y hasta un ciego lo puede ver.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Guaraná de rolha

A foto acima foi feita por mim, na última Bienal de Artes de São Paulo (2006). Desconheço o nome do autor da instalação artística, mas a proposta é a que está na placa do ator-obra-de-arte: "Parem de registrar produtos naturais como marca". A dupla Guaraná e Copyright fazia uma performance cômica entre os visitantes da exposição. Na época, achei apenas engraçado. Agora, comentando o texto da aula sobre Marcas Globais, lembrei-me dessa foto.
E me veio também o questionamento sobre os produtos que "assumem" os nomes das marcas.
Gilete - Band-aid - Tupperware - Modess (demorou para aprendermos a dizer apenas "absorvente") - calça Lee (e não calça jeans) - Coca-Cola (e não refrigerante de cola, ainda que a Pepsi tenha quase derrubado esse paradigma) - Havaianas (não é mais chinelo de borracha) ...muitas outras.
Esse sim é o "sonho de consumo" de muitas corporações.
Quantas comunidades no Orkut são criadas para "adorar" marcas?
Cabe a quem tem senso crítico consumir com discernimento.
Uso Adidas porque tem os modelos mais bonitos, ou compro um par de tênis da marca na 25 de Março apenas porque tem as três listras estampadas?

terça-feira, 22 de maio de 2007

Sentidos dentro de sachês

“Aqueles que dispõem de meios para tanto, o mercado assegura os bens que desejarem, mas não as vidas às quais aspiram; a propriedade para alguns, o desespero para muitos e a dignidade para ninguém”

Benjamin R. Barber


Samuel Klein, o pai, fundador das Casas Bahia, e Natalie Klein, a filha, fundadora da loja NK Store. Talvez sejam os dois extremos que melhor podem explicar uma sociedade que vive entre o luxo e o popular. As Casas Bahia, talvez a mais popular rede de lojas do país. A NK Store, uma das mais caras butiques de grifes mundiais de São Paulo. O que têm as duas em comum? Ambas satisfazem desejos de consumo. A primeira, daqueles que sonham com um bem de consumo, que, glória a Deus, pode se tornar acessível mediante um carnê de “n” prestações e “xxxx” juros. A segunda, dos que querem (e podem) consumir sempre mais e melhor. O que une os dois extremos (não, não estamos falando de laços de sangue)? A indústria, que deseja apenas que milhares de pessoas comprem os bens de que “precisam” para ter felicidade. Fato: o consumidor popular, de baixa renda, está mudando muito rapidamente, está mais informado, por causa da publicidade e da tecnologia em geral – Casas Bahia vendem computadores há tempos. Ele quer “ascender socialmente” e o faz via consumo. Quem nasceu “podendo” busca aquilo que mais “diferenciado” o mercado ofereça, de um carro personalizado a bolsas bordadas com brilhantes e pérolas verdadeiros.

“O que se vende? Bens materiais e sentidos”


A foto de um sachê de desodorizante para armários foi tirada em um supermercado de "luxo" (Extra), onde se pode encontrar um tipo de produto que não está à disposição em supermercados populares (Comprebem) - ambos fazem parte do Grupo Pão de Açúcar

Atenção para o nome dado ao "perfume" do produto:
LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA

Sem comentários!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Apareço, logo existo, logo faturo


Ser “celebridade” no mundo de hoje exige criatividade e jogo de cintura para se manter na mídia. Afinal, a cada dia surge uma novidade melhor para ser exibida por aí, para deleite dos “pobres mortais”. Algumas dessas estratégias de guerra, embora um tanto óbvias, costumam trazer excelente resultados. Se não, vejamos:

Na linha “caiu na rede sem querer":

Pamela Anderson é a estrela do vídeo de sexo com o ex-namorado. As cenas bem picantes caíram na internet e o filme virou “sucesso”.

Daniela Cicarelli, até onde se sabe “sem querer”, flagrada por um papparazzo em cenas mais ousadas com o namorado em uma praia espanhola, virou o assuntou mais quente da internet.

Na linha “contravenção”

A modelo Kate Moss teve fotos suas cheirando cocaína publicadas na primeira página de um jornal.

Nas duas “frentes de atuação”

Paris Hilton foi presa depois de entornar alguns copos a mais, mas, antes, já havia estrelado seu próprio vídeo pornô, que, igualmente “por acaso”, caiu na internet.

O que a quatro moças têm em comum? Além de belas, continuam cada vez mais sob a mira da mídia. Não apenas isso (ou talvez POR ISSO), as quatro, depois do sucedido com cada uma delas, continuam faturando cada vez mais.